Integralidade

Por Samuel Matos     22 de abril de 2017     0

Por João Marcos Cardoso de Sousa

Os aspectos singulares do cuidado integral na jornada missionária

A ideia sobre o cuidado missionário não nasceu recentemente e nem se trata de algo inovador no contexto de missões. Para além de uma ideia, o cuidado é uma prática tanto reflexiva quanto de ação, que se desenvolve progressivamente há mais de duas décadas no Brasil. Ao longo dos anos, temos estudado e assistido a vida de muitos missionários em contextos e situações bem diversificadas. Muitas singularidades envolvem essa jornada. Há muitos fatores relacionados aos desgastes próprios de quem servem na missão.

No ano de 1998, foi instituído no Brasil o primeiro grupo com representantes de algumas das maiores agências de missões do país para refletir, estudar e desenvolver ações para atender necessidades relatadas pelos missionários em um fórum de missões na cidade de Foz do Iguaçu. Nasceu o CIM Brasil – Cuidado Integral do Missionário – um grupo composto por igrejas, juntas missionárias e uma diversidade de profissionais de inúmeras áreas, que se organizam por regiões, articulam e promovem ações diretivas de cuidado aos missionários locais.

A Relação de cuidado

Para compreendermos um pouco melhor o conceito de cuidado missionário, partiremos do contexto bíblico buscando como referência a relação de cuidado expressa por Paulo em sua carta aos Filipenses: “Muito me regozijo no Senhor, pois finalmente renovaste o vosso cuidado a meu favor. Já tínheis cuidado antes, mas vos faltava oportunidade para mostrá-lo.” (Fp 4.10) “Todavia, fizeste bem em tomar parte de minhas aflições […]” (Fp 4.14). É possível observar nesse texto que a primeira ideia sobre o cuidado apresentada por Paulo é a relação de reciprocidade, troca e integridade entre a parte que demanda e a parte que exerce o cuidado. O que gera crescimento e bem-estar para ambos.

Cuidar é uma relação de entrega e de confiança existencial. O contrário desse conceito se estabelece pelo assistencialismo, pela barganha, pela arrogância e pelo medo. Os efeitos desse tipo relação são ineficientes e até perversos. A expressão de Paulo sobre cuidado deve se estabelecer entre a vida missionária e a Igreja, pois, isso trata-se de um culto agradável a Deus.

Portanto, é de suma importância que vivamos uma relação íntegra e verdadeira de disponibilidade e de ajuda mútua. O cuidado integral do missionário pode ser abordado em três aspectos distintos. Estes são representados pelo papel da Igreja, pela função da agência ou junta missionária e pela pessoa do missionário. O cuidado é efetivado por meio de uma interação constante entre sujeitos, de forma sensata e equilibrada. Hoje há inúmeros profissionais, que congregam em igrejas locais e se dispõe a atender demandas em suas respectivas áreas.

As fases da vida missionária

As etapas da jornada são compreendidas por três momentos distintos. A primeira fase é a do preparo do missionário. São nestes primeiros passos da vida ministerial de um jovem vocacionado que a conduta de pastoreio, por parte da igreja, vai imprimir suas primeiras marcas de responsabilidade e resultados.

A segunda refere-se ao envio, início e permanência no campo. Há pela frente uma série de desafios, entre eles a adaptação a um novo contexto cultural e a convivência com a equipe missionária. A terceira fase é a do retorno. Voltar ao país de origem, ao seu estado, ou a casa dos pais, não quer dizer que tudo vai estar no lugar e que o missionário irá funcionar adequadamente em sua cultura, família e igreja como antes.

As áreas de cuidado

É importante observar e agir por meio de uma visão completa da saúde do missionário nos seguintes aspectos: saúde física/corporal, a saúde psíquica/emocional e a espiritual. Assim, o cuidado é também um estado de acolhimento e conhecimento entre as partes. Não uma relação de desigualdade socioeconômica entre pessoas, nem mesmo de assistencialismo ou protecionismo, trata-se de crescimento e amadurecimento.

A Missão não é do missionário nem da Igreja, tão pouco, das agências e juntas missionárias. A Missão é unicamente do Deus Altíssimo. Nossa participação nesse evento tão grande e magnífico se restringe a simples manifestação de cuidado com aquilo que fora colocado em nossas mãos: a vida humana.

 

Autor: Samuel Matos

Sou designer, CEO da Agência Aldeia Thisam, estudante de arquitetura na maior parte do dia e escritor quando dá!
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