Geração Y e a Grande Comissão

Por Samuel Matos     12 de maio de 2017     0

Saiba quem são os membros dessa geração, onde eles estão no Brasil e quais as características que os fazem tão aptos para o cumprimento do ID

Se você nasceu na década de 80, sendo um jovem ou uma jovem com mais 35 anos, provavelmente vai se identificar com esse texto. Pessoas nascidas após esse período fazem parte da geração denominada como Y, que também é conhecida como Millennials e Aspiracionais. Um estudo produzido pela Geofusion e Serasa em 2016 apontou algumas características dessa geração e indicou aonde está a maior concentração de seus membros no Brasil.  

A Geração Y é a galera do “para ontem” ou do “microondas” como é dito por aí. Mencionada por ser um grupo que consome e promove mudanças em todas as áreas da sociedade em diferentes aspectos, trabalho, relações familiares, vida pessoal etc., têm um papel fundamental na construção e gestão do novo mundo que está surgindo.

Num lado extremamente oposto da geração X, os chamados baby boomers, os jovens da geração Y são altamente conectados, são mais descolados, não se preocupam muito com a construção de um patrimônio sólido, mas prezam pela liberdade, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e preferem investir o dinheiro que ganham em viagens, estudo e tecnologia. Em relação à família, casam e têm filhos mais tarde. Querem mais liberdade para escolher, não se importam com mudanças radicas e estão mais focados no significado do que fazem e no resultado disso para a coletividade.

Onde está a geração Y no Brasil?
Conforme aponta o estudo, a geração Y representa 8,3 milhões de pessoas, sendo maior que a população da Suíça. O sudeste é a região de maior concentração desse grupo (63,4%), seguido do nordeste, com 14%. O norte é a região com menor concentração, 4,2%. No ranking das 10 cidades com maior número de jovens da geração Y no Brasil (vide tabela) estão São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Nessas 10 cidades está concentrado 43% dessa geração e representam 27% do PIB nacional.

Conforme indica a pesquisa, a geração Y, vive em municípios classificados como Centros Nacionais de Turismo de Negócio e Lazer. São cidades que comportam as sedes de grandes empresas, além de serem palco das principais feiras e eventos do mundo corporativo. Nesses municípios os gastos com viagens, livros didáticos e matrículas em cursos superiores ou de línguas por domicílio chegam a ser quase duas vezes maior que nos outros municípios.

Millennials e Aspiracionais
A geração Y é dividida entre os grupos “Millennials e Aspiracionais”. Os Millennials são jovens de até 35 anos, majoritariamente solteiros e sem filhos, que vivem em regiões metropolitanas. São antenados e gostam de tecnologia, com uma renda média mensal de R$3.000. Já os Aspiracionais são jovens solteiros de até 35 anos com menor poder aquisitivo e menos acesso à tecnologia, mas com as mesmas aspirações dos jovens de classes mais altas. Cursaram até o ensino médio e moram em capitais ou regiões metropolitanas, com uma renda média mensal de até R$800. Em sua maioria, foram criados em zonas periféricas e são filhos de pais com baixa renda.

Geração Y e a Grande Comissão
Ao observar algumas das características da geração Y, é fácil perceber que, em diversos aspectos, eles se aproximam do perfil dos missionários em contextos de baixa complexidade que melhor se adaptam à dinâmica econômica e social desta geração. Algumas predisposições como desprendimento, ser um cidadão do mundo, conectado, que aspira por novidade, que tem facilidade de interação, que vê além de seu tempo e a  proatividade apontam para essa realidade global. Contudo, mesmo sendo uma geração que possa ser considerada mais preparada para o cumprimento do IDE, porque é tão difícil engajar esses jovens no movimento missionário?

A resposta pode estar na análise dos gaps quanto ao diálogo e na forma como esses jovens são chamados para atuarem com missões. Como eles estão sendo abordados e ensinados? Mostrar que a fé pode estar totalmente conectada com as aspirações e anseios da geração Y é um ponto de partida para que haja não só engajamento, mas comprometimento efetivo.

Daí a importância da conversa entre pais, líderes e pastores, que fazem parte da Geração X, a anterior à Y. Dialogar e acompanhar a geração Y é um desafio, e mostrar que a interação entre esses grupos distintos é possível, é ponto chave para evitar o distanciamento entre as gerações e promover interação, no intuito de elas se complementarem com o que cada uma tem de melhor.

Conforme descreve o professor Anderson Sant’Anna, da Fundação Dom Cabral, no artigo A diferença entre gerações e a diversidade nas organizações, “as diferenças e as dicotomias entre gerações sempre existiram e são salutares. Nessa direção, é importante ressaltar que uma geração não é, necessariamente, melhor ou pior que outras. O fundamental é entender os valores, expectativas e características de cada geração e como extrair o que cada uma, com suas singularidades e diferenciais, pode oferecer”.  O importante é gerir as diferenças, fazendo delas fatores de avanço e para a evangelização mundial.

Autor: Samuel Matos

Sou designer, CEO da Agência Aldeia Thisam, estudante de arquitetura na maior parte do dia e escritor quando dá!
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