Reversão

Por Samuel Matos     23 de abril de 2017     0

Por Rebeca Almeida

O poder de Deus manifesto em resposta às orações de sua Igreja pela vida de um missionário

Antes de completarmos um ano em Moçambique meu marido, Paulo César (Cesinha), teve uma malária cerebral. Essa doença, quando tratada no começo, é algo relativamente simples, mas caso o tratamento comece tarde os protozoários se multiplicam rapidamente acometendo vários sistemas do corpo. Em Moçambique existem dois tipos de protozoários de malária, o tipo falciparum é o pior deles e foi exatamente este que ele pegou.

Na época Cesinha estava de viagem marcada para o Brasil, para solucionar alguns problemas administrativos do ministério que havíamos deixado lá. Ao se sentir mal, mesmo relutante foi ao médico pois queria viajar bem. Pagou uma consulta na melhor clínica particular de Nampula e saiu de lá com o diagnóstico de infecção urinária e antibióticos. Viajou assim e ao chegar ao Brasil foi direto para a emergência de um hospital particular, pois seu estado havia piorado. No hospital não havia teste para diagnóstico de malária e ele foi aconselhado a procurar o setor de pesquisa da faculdade de medicina local.

Na faculdade ele passou por diversos testes e a quantidade de protozoários no sangue dele era tão assustadora (o técnico disse nunca ter visto uma lâmina como aquela), que decidiram aplicar uma injeção de quinino nele ali mesmo. Na sequência ele entrou em coma e foi encaminhado para um bom hospital público da área de doenças infecciosas. Ele passou 15 dias em coma, sofreu uma parada cardíaca e seus rins não estavam mais funcionando. Segundo os médicos em uma das noites ele chegou a ter apenas 7% de chance de sobreviver.

Rapidamente várias pessoas se mobilizaram em oração suplicando a Deus pela cura dele. Na minha cabeça nada fazia sentido, estávamos no começo do nosso trabalho em Moçambique e no meio do processo de adoção da nossa filha caçula. Apesar de não entender, eu podia sentir as orações me sustentando. Com grandes chances de perdê-lo resolvi ir para o Brasil, para poder estar mais perto dele, mesmo que longe das minhas meninas que deixei em Moçambique (meu filho tinha ido com ele para o Brasil).

Mesmo com a sedação Cesinha estava muito agitado e os médicos autorizaram minha permanência no CTI por alguns dias. Eu massageava as pernas dele que estavam muito inchadas devido à retenção de líquido e enquanto isso cantava, orava e conversava com ele. Não havia previsão de melhora, tínhamos que esperar, o corpo dele precisava lutar para vencer a doença.

Cerca de 15 dias se passaram e numa manhã gloriosa cheguei ao hospital e ele estava sentado em uma cadeira de rodas, sorrindo. Seu corpo tinha reagido, sua alma acalmado e ele já respirava sem a ajuda de aparelhos, e por isso não precisava mais de sedação. Lembro da minha cunhada ajoelhada no chão, minha sogra agradecendo a Deus. Quanta alegria! Ele ainda um pouco tonto por causa dos medicamentos dizia que já estava pronto para sair do hospital, precisava “vagar” a cama do CTI. O médico disse que Cesinha só tinha saído daquela situação por causa de muita “reza brava” que tinha sido feita naquele hospital. Mal sabia ele que a igreja orava nos quatro cantos do mundo.

Passamos mais alguns dias no hospital e após a alta Cesinha passou a fazer hemodiálise três vezes por semana. Segundo um grande especialista em rins seria necessário pelo menos 6 meses para dar algum posicionamento em relação ao futuro dos rins dele. A hemodiálise tornava a volta dele para Moçambique impossível, pois o centro de hemodiálise mais perto da nossa casa em Nampula ficava a 2000 quilômetros de distância.

Em sua imensa bondade, aprouve ao Senhor nos ouvir mais uma vez e recuperar totalmente os rins do Cesinha em menos de um mês. Os médicos que o acompanharam recomendaram que ele não voltasse para Moçambique, mas o chamado de Jesus é irresistível. Existe uma citação de John Piper que resume bem o objetivo de missões: “Missões existem porque não existe adoração”. Na saúde ou na doença, na vida ou na morte, que o Cordeiro seja adorado em toda Terra. Esse deve ser nosso maior alvo como Igreja, como noiva e como indivíduos.

Autor: Samuel Matos

Sou designer, CEO da Agência Aldeia Thisam, estudante de arquitetura na maior parte do dia e escritor quando dá!
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