Do Celeiro à Seara

Por Samuel Matos     12 de maio de 2017     0

Por Luís Nacif

O momento é agora

Dentre muitos acontecimentos no meio evangélico, a década de 90 foi marcada por um despertar missionário que até então não tinha acontecido no Brasil. Inúmeras igrejas e líderes acordaram para a realidade de que a Igreja Brasileira tinha crescido em tamanho e maturidade o suficiente para migrar de um país recebedor de gente e de recursos para um enviador de missionários para o plantio de igrejas em outras nações.

Com esse despertar, muitos, especialmente os de fora, começaram a enxergar o Brasil como “celeiro de missionários”: um país que iria inundar as nações com seus evangelistas de Bíblia na mão e samba no pé. A vibração com essa possibilidade foi grande. Muitos missionários foram enviados por se sentirem chamados às nações, ainda que alguns não estivessem com o preparo adequado.

Mesmo sendo um tempo precioso e marcante para o movimento missionário, as expectativas de muitos geraram certa frustração quando as projeções entraram em conflito com a realidade. Em uma frente, o missionário enviado sem o preparo suficiente encontrou no campo um contexto bem mais complicado do que o que ele tinha em mente. A língua era difícil de aprender, as culturas estavam lapidadas em séculos de resistência ao Evangelho, a solidão incomodava de um lado e os conflitos com equipes multiculturais, de outro.

Para muitos, o romantismo foi atropelado pelas dificuldades, gerando feridas que comprometeram a jornada. Na retaguarda, muitos imaginaram que a plantação de igrejas em locais fechados ao Evangelho seria simples e rápida como suas experiências em território brasileiro.

Assim, com pouco tempo dedicado pelo missionário, já se aguardava notícia de dezenas de convertidos e uma igreja sólida plantada. O romantismo se transformou em desânimo e abandono de projetos que estavam apenas começando.

Diante da descrição desse quadro, poderíamos imaginar que o projeto missionário transcultural da Igreja Brasileira estava caminhando rumo ao fracasso. Nada mais errado para se pensar. Ele caminhava, sim, em direção à maturidade. A Igreja Brasileira está em condições de avançar com muito mais maturidade rumo à plantação de igrejas no campo transcultural. É como num namoro que começa com uma paixão adolescente para ir se transformando em um relacionamento duradouro e um casamento sólido. Aprendemos e continuamos a aprender muito. Algumas particularidades dessa caminhada só podem nos dar mais ânimo para avançar.

A Experiência Existem igrejas, agências missionárias e missionários com ótima experiência no preparo, no envio e no pastoreio de missionários no campo. Ninguém precisa “começar do zero” ao se envolver com missões. Pesquise, conheça os desafios para a sua igreja e se prepare melhor para orientar seu vocacionado. Converse com outros pastores, líderes de agências missionárias e missionários, tanto brasileiros que estão por longos anos no campo quanto estrangeiros que dedicaram suas vidas à evangelização no Brasil. A troca de experiências é uma das melhores formas para aprender de maneira rápida e eficaz.

O Preparo
Um dos maiores aprendizados dos últimos anos foi que não podemos enviar missionários ao campo sem um bom e adequado preparo. Os desafios são inúmeros, e eles precisam estar com a Teologia afiada, o conhecimento da língua, estabilidade emocional para enfrentar as lutas do campo e um preparo transcultural para fazer frente ao que vão experimentar “fora do ninho”. Muitos missionários retornaram prematuramente porque não estavam devidamente preparados para o que os aguardava, mesmo que estivessem suficientemente “espirituais”.

O Pastoreio
Envolver-se com missões é estender o pastoreio aos quatro cantos da Terra. Ao afastar-se da família, da igreja local e da própria cultura, o missionário naturalmente perde fontes importantes de alimento emocional e espiritual e precisa de um apoio extra e constante de sua liderança. Quando enviamos missionários ao campo, devemos intensificar o cuidado com eles em vez de diminuir. E estamos vivendo tempos em que a tecnologia nos favorece como nunca aconteceu. Com um simples clique, trocamos mensagens, fotos e vídeos com eles em tempo real. Com certeza, poderíamos discorrer muito mais sobre o quanto as missões da Igreja no Brasil amadureceram.

Mas uma coisa é certa: ainda há muito a ser feito. Deus nos tem preparado para grandes obras e já é tempo de deixarmos de ser “celeiro” de missões para sermos uma plataforma ativa de lançamento de missionários transculturais às centenas para os quatro cantos da Terra.

O tempo de se envolver é agora! O Senhor está despertando como nunca os obreiros para a Sua seara. Que possamos todos fazer parte desse despertar.

 

Autor: Samuel Matos

Sou designer, CEO da Agência Aldeia Thisam, estudante de arquitetura na maior parte do dia e escritor quando dá!
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